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Tragédia no sul do Brasil: Como será o impacto no agronegócio?


Imagem: PODER360


Desde o final de abril, o estado do Rio Grande do Sul tem sido palco de uma das piores tragédias climáticas de sua história.


Como foi afetado e como ficará o agronegócio no RS?

Chuvas intensas causaram inundações generalizadas, afetando mais de 400 municípios, deixando cidades inteiras submersas e desencadeando uma crise no agronegócio no sul do país.


O que aconteceu no RS?

O Rio Grande do Sul está passando por uma das suas maiores tragédias devido às fortes chuvas que começaram em 27 de abril, causando alagamentos, desabamentos e destruição por todo o estado. A situação se agravou rapidamente com as chuvas persistindo, levando à destruição de estradas e pontes, e culminaram na morte de 107 pessoas e 136 desaparecidos e 374 feridos. Mais de 1,4 milhão de pessoas foram afetadas pelos temporais.


O Rio Guaíba em Porto Alegre ultrapassou níveis críticos, atingindo 5,30 metros, o que causou mais caos e bloqueios significativos, incluindo o fechamento do Aeroporto Internacional Salgado Filho.Casas, galpões e currais foram destruídos. Plantações inteiras ficaram debaixo d'água, e milhares de animais foram arrastados pela força das águas. Para pequenos agricultores, quilombolas e trabalhadores de assentamentos rurais, a realidade tornou-se triste e desoladora, marcada por isolamento e perdas imensuráveis.


Qual é o impacto no agronegócio?

O Rio Grande do Sul, uma potência na produção de arroz e soja, viu suas plantações severamente afetadas. O agronegócio, que desempenha um papel vital na economia do estado, enfrenta agora desafios sem precedentes, com prejuízos que se estendem por todas as cadeias de produção.


Perdas no setor arrozeiro

No Rio Grande do Sul, estado líder na produção de arroz no Brasil, as intensas chuvas impactam significativamente a safra de 2023/24. A expectativa inicial de colheita era de 7,5 milhões de toneladas. Contudo, com as chuvas, essas expectativas foram para entre 6,7 milhões e 6,8 milhões de toneladas.


Cerca de 17% da área semeada, ou aproximadamente 150 mil hectares, ainda não foi colhida, sendo que 45 mil desses hectares estão localizados em regiões inundadas. O arroz de terras baixas, que pode suportar submersão por até sete dias, enfrenta riscos significativos de perda.


A avaliação preliminar da consultoria Datagro aponta para uma perda potencial de até 50% da produção restante, o que representa cerca de 600 mil a 700 mil toneladas. O prejuízo financeiro estimado pela consultoria é de quase R$ 70 milhões, sem incluir as perdas adicionais de estoques que podem ter sido danificadas em armazéns afetados pelas enchentes.Isso gera uma preocupação significativa para o abastecimento nacional, apesar das garantias de que não haverá desabastecimento nos próximos meses.


Desafios para a soja

Para a soja, o principal grão cultivado no Rio Grande do Sul, a área plantada na safra de 2023/24 atingiu 6,7 milhões de hectares. A produção esperada para este período era de 22,2 milhões de toneladas, o que representa 15% do total nacional e um aumento de 71% em comparação com a safra anterior de 2022/23, que sofreu com os efeitos da estiagem causada pelo fenômeno La Niña. Até a semana passada, aproximadamente 80% dessa área já havia sido colhida. No entanto, para a área restante, estima-se que as perdas devido às chuvas atuais fiquem entre 15% e 25%, o que corresponde a uma redução de 750 mil a 1,25 milhão de toneladas na produção esperada.


Problemas logísticos

Além das perdas diretas nas plantações e destruição de estoques, a infraestrutura de transporte também sofreu. Estradas destruídas, pontes arruinadas e centros de distribuição danificados complicam ou param o escoamento da produção, criando um gargalo que afeta todo o país.A água tem causado sérios transtornos para a cadeia de produção de suínos, impactando significativamente o transporte de suínos vivos para abate, bem como a distribuição de carnes para os mercados atacadistas e o fornecimento de insumos essenciais para a atividade.De acordo com um levantamento realizado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Esalq/USP, a queda de pontes e a destruição de estradas que conectam importantes regiões produtoras têm retardado consideravelmente o ritmo de negócios tanto dentro quanto fora do estado.


Além disso, embora a pesquisa do Cepea não tenha abordado todos os municípios, há relatos de que alguns deles foram afetados ainda mais, com perdas significativas de animais e danos mais extensos.


Em 2023, o Rio Grande do Sul foi responsável pelo abate de 9,2 milhões de cabeças de suínos, o que representou 19,87% do total nacional, colocando o estado como o terceiro maior produtor no país. Adicionalmente, o estado contribuiu com 23,1% das exportações brasileiras de carne suína, sublinhando a importância do setor para a economia local e nacional.


A continuidade desses impactos pode ter consequências mais amplas, não apenas para a economia do estado, mas também para a segurança alimentar e o comércio internacional de carne suína do Brasil.


Como fazer doações para o RS?

Diante da adversidade, a solidariedade entre vizinhos e a organização comunitária têm sido fundamentais. Instituições têm atuado ativamente para apoiar os mais afetados, enquanto campanhas de doação são organizadas para aliviar o sofrimento imediato.


Para reconstruir e reestruturar as áreas devastadas, será necessário um apoio substancial dos governos federal, estadual e municipais. Além da ajuda imediata, é crucial investir em infraestrutura e planejamento para evitar futuros desastres.Vale ressaltar que muitos influencers e artistas estão utilizando suas redes sociais para divulgar vaquinhas online e mobilizar o maior número possível de pessoas dispostas a contribuir.


Essa estratégia tem se mostrado eficaz, e estima-se que o arrecadamento já passa de 70 milhões de reais.Se você deseja doar, separamos 2 formas de fazer doações, a maior campanha solidária do RS e o canal de doações organizada pelo estado do RS.

Clique nos links e faça sua contribuição.


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Vale lembrar que a tragédia destaca a necessidade de um planejamento mais robusto e de práticas agrícolas sustentáveis que considerem as mudanças climáticas. Proteger o meio ambiente e discutir modelos de agricultura que preservem os recursos naturais são passos essenciais para a resiliência futura.


Enquanto o Rio Grande do Sul começa o longo processo de recuperação, a solidariedade e a resiliência da comunidade agrícola são testadas ao máximo.


A lição tirada dessa tragédia será fundamental na preparação e fortalecimento do estado e do país contra futuros desafios climáticos e econômicos.

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